Na última semana, a conhecida Flaunt Magazine revelou a entrevista e ensaio exclusivos realizados com JADE durante sua passagem pela América do Norte. Confira a tradução na íntegra abaixo:
A primeira bailarina do filme The Red Shoes (1948), de Powell e Pressburger, não dança porque quer. Bem, no começo ela até quis — mas depois passa a dançar porque os sapatos a forçam. Assim que são amarrados ao seu corpo, transformam o ato da dança numa espécie de cativeiro: seus pés são movidos por uma vontade externa aterrorizante, arremessando-a por palcos, cidades e pela frágil fronteira entre devoção e auto aniquilação. Os sapatos não se importam com a sobrevivência da bailarina. O que importa para eles é que ela continue dançando.
No clímax delirante do filme, o teatro se desfaz. O palco se expande ao infinito. A plateia desaparece, restando apenas a dançarina e a sua compulsão. Como o mestre de balé Boris Lermontov comenta casualmente: “Ah, no fim, ela morre.” As sapatilhas pontiagudas, em toda a glória de seu vermelho tecnicolor, permanecem intactas. Esperam pacientemente. Sempre haverá outra bailarina.
A engrenagem do pop também se prende a uma garota ainda jovem. Ela a posiciona, aa limenta com aplausos como se fossem vitais. E quando chega a hora, se tiver muita sorte, ela aprenderá a desamarrar os próprios laços sem esquecer como dançar. Jade Thirlwall já sobreviveu a essa dança antes.
Agora se apresentando sob o monônimo JADE, a estrela pop de 33 anos ocupa um lugar raro e precário: o de uma artista pop renascida. Natural de South Shields, ela está no início de uma carreira solo e, ao mesmo tempo, entrando na segunda década como uma artista global. Seu álbum de estreia solo, lançado em Setembro do ano passado, THAT’S SHOWBIZ BABY!, funciona como uma autópsia rústica e reluzente, onde JADE disseca as condições sob as quais foi concebida.
JADE nasceu para o público geral como parte do organismo composto que foi o Little Mix: o girl group britânico dos anos 2010 formado por Thirlwall, Perrie Edwards, Leigh-Anne Pinnock e Jesy Nelson no The X Factor (UK), qual o reinado de uma década no topo do pop global foi um milagre. Girl groups são criados para acabar. Brilham intensamente e depois se fragmentam sob as pressões estruturais da visibilidade. O Little Mix contrariou a lógica industrial e o histórico do pop, abrindo caminho para os grupos femininos dos anos 2020.
O que resta do Little Mix segue próximo como sempre (a porta para uma reunião permanece aberta, pelo menos por parte de JADE: “É UM HIATO!”, ela exclamou ao avistar Perrie e Leigh-Anne durante um de seus shows em Londres em Agosto de 2025). Para uma ex-integrante de um grupo pop internacionalmente reconhecido, costuma ser considerado rude mencionar o passado na banda, como uma espécie de amnésia estratégica. Quando pergunto o que a leva a rejeitar a ambivalência típica da ascensão de sua carreira solo, ela responde com uma simplicidade desarmante:
“Tenho um orgulho absurdo do que eu e as meninas conquistamos. É muito difícil um girl group dar certo e a gente durou uma década inteira. Isso não é pouca coisa na atual indústria musical, especialmente para um grupo pop feminino. Como não celebrar isso?”
Era inevitável, então, que seu álbum de estreia orbitasse sua própria história dentro da indústria da música. O disco gira em torno das delícias e dores do contrato emocional invisível que se firma quando uma mulher concorda em se expor profissionalmente. Com influências no maximalismo teatral de Madonna e pela dramaturgia emocional da Motown, THAT’S SHOWBIZ BABY! narra a dependência: o êxtase de ouvir seu nome ser gritado em uma casa de shows com as luzes ainda apagadas. O equilibrio psicológico por trás da busca pela validação externa e como separá-la de seu valor interno. A versão deluxe, THE ENCORE, amplia essa autópsia: “Church” serve como carta de amor aos fãs LGBTQIA+, “This Is What We Dance For” como confissão da ansiedade constante de quem vive na indústria.
“Acho que as estrelas do pop relutam em admitir o quão viciados somos nisso”, diz. “Você se vicia nessa validação. Eu não gosto necessariamente de ser famosa, não gosto de não poder andar por aí sem ser reconhecida, mas estaria mentindo se dissesse que não amo ouvir os fãs gritarem ou cantarem minhas músicas para mim.”
Apesar de tudo, THAT’S SHOWBIZ BABY! ocupa um território instável e familiar para quem já amou algo que também lhe machucou. A dependência reaparece. O single principal, “Angel of My Dreams”, ataca essa dinâmica de forma incisiva, em letras que ela descreve como “tragicamente sinceras e desesperadas”.
“A indústria consumiu minha vida”, ela conta, como quem fala de um ex-namorado. “Fiz muitos sacrifícios para fazer parte disso. Tive relacionamentos sabendo que nunca colocaria aquela pessoa acima da música. A música foi o amor da minha vida e, como todo relacionamento tóxico, tem pontos positivos e negativos.”
A oscilação entre autonomia e a submissão se reflete na estrutura sonora do álbum. O disco transita deliberadamente entre gêneros, priorizando a precisão emocional em vez da coesão. “Angel of My Dreams” começa em uma ilusão beatífica, deslumbrante e devocional, antes de virar a chave e lançar o ouvinte numa onda de estímulos sonoros. “Fantasy”, seu contraponto excessivo e libidinoso, mostra sua entrega aos prazeres do escapismo, celebrando a artificialidade do desejo em sua forma rapsódica e pop.
O amor inabalável de JADE pela indústria é palpável durante sua passagem pela América do Norte. Sua turnê, baseada em teatros clássicos, funciona como um programa de variedades onde JADE é, deliciosamente, todos os atos: cantora de cabaré, evangelista disco, comediante, figura messiânica entregando um “momento Evita” do camarote para uma plateia de garotas e gays. Sua formação teatral vem de uma infância mergulhada em Cabaret, West Side Story e A Chorus Line. Quando o conceito do álbum se consolidou, a teatralidade veio naturalmente:
“Eu sabia que faria algo teatral, então pensei: como criar um show que incorpore a essência do álbum e também esse caos? Eu sei que ainda não sou gigantesca”, diz ela, “então a ideia era fazer parecer o mais grandioso e bem pensado possível.”
Sua multiplicidade teatral nasce de uma compreensão aguçada da indústria:
“Para ser uma boa estrela pop, você precisa ser um camaleão”, diz. “Você precisa se adaptar as mudanças e as atuaidades… uma boa popstar conhece seus fãs melhor do que ninguém. Não só a música, mas a coreografia, o palco, os figurinos, a personalidade. São muitas peças em movimento. Por isso o pop é um dos gêneros mais difíceis de sustentar por muito tempo. Estar nessa indústria é brutal”, JADE continua. “Quando você entende isso e aprende a jogar a seu favor, você vira o jogo.”
O entendimento das engrenagens, das artificialidades e da sede por reinvenção moldou sua passagem pela América do Norte.
“Parece que estou começando de novo”, diz, “mas agora eu sei quem eu sou… minha ideia de sucesso é outra.”
A recepção nos Estados Unidos, especialmente em espaços queer, foi imediata e fervorosa. Ela diz que não esperava essa onda de apoio. Conto que suas músicas ecoam em carros de aplicativo e pistas de West Hollywood, e que é difícil encontrá-la numa conversa sem que seja chamada de “mãe”. Ela ri, feliz enquanto se diverte: “Os gays vieram com tudo.”
A mudança de público conversa diretamente com sua estética. Teatralidade rústica, melodrama autoconsciente e identidade performática fazem parte da lógica queer, e JADE é fluente nisso. Tão fluente que marcou o lançamento de “Fantasy” com uma coleção provocativa de produtos: butt plugs e outros personalizados com a marca da música. Podemos dizer que ela atravessou essa fase com confiança. Ao mesmo tempo, muitos fãs antigos do Little Mix retornaram à grade para testemunhar o “retorno da Messias”.
“Aqui nos Estados Unidos”, ela conta, “encontrei vários fãs dizendo: ‘Não acredito que você finalmente está aqui, estamos esperando desde 2011 por essa turnê’. Eu sei, eu concordo. Mas também é incrível ver tanta gente nos shows que nem conhecia o Little Mix e me amam como artista solo. Eu fico muito feliz com tudo isso, com os fãs do antigo e os do novo testamento”
É essa mistura de público que tornou possível sua primeira turnê solo como headliner, fãs apegados a memórias de uma década e jovens descobrindo-a sob luzes de uma disco-ball:
“Eu e as meninas [do Little Mix] sempre sonhamos com uma turnê nossa”, diz. “Sinto que faço isso pelo grupo e por mim. É um sonho realizado.”
Para o próximo ano, o plano é repetir a fórmula: escrever outro álbum, viajar mais, ampliar os espaços, expandir seu úniverso. À primeira vista, soa curioso ouvir alguém tão consciente das tribulações da indústria dizer com tanta segurança que quer continuar nela. Mas a relação agora é outra: se os sapatos vermelhos de Powell e Pressburger forçavam a bailarina a dançar até sua aniquilação, JADE parece estar no controle de seus próprios cadarços. Ela dança com autoridade sua própria coreografia. Os aplausos continuam viciantes, os fãs continuam famintos. Mas há um entendimento mútuo: enquanto ela estiver no controle, ela não vai parar.
“Acho que, para mim, o sonho é evoluir. Vou surpreender as pessoas de novo. Quero turnês maiores, viajar para mais lugares”, JADE olha para as próprias mãos, abrindo-as como quem mede o espaço. “Quero que tudo fique cada vez maior.”
Nesta quarta-feira (21), o BRIT Awards – principal premiação musical do Reino Unido – anunciou os indicados para a edição de 2026 da premiação.
JADE recebeu sua primeira indicação à categoria “Artist Of The Year” (Artista do Ano) e também à “Best Pop Act” (Melhor Ato Pop), que lhe rendeu seu primeiro prêmio na edição de 2025 da premiação. Com as novas indicações que recebeu este ano, JADE acumula 4 indicações ao BRIT Awards em carreira solo.
O BRIT Awards 2026 acontecerá no dia 28 de Fevereiro de 2026 em Manchester, Inglaterra. Não deixe de acompanhar o Jade Brasil nas redes sociais para acompanhar a premiação.
A espera acabou! Na tarde desta quinta-feira (27), Jade usou suas redes sociais para anunciar o lançamento da versão deluxe de seu aclamado álbum de estreia solo, “THAT’S SHOWBIZ BABY!”, chamada “THAT’S SHOWBIZ BABY! THE ENCORE”.
A nova versão, que inclui a versão de Jade da icônica “Frozen”, de Madonna, também contará com 7 faixas adicionais inéditas. Confira a tracklist completa abaixo:
- Angel Of My Dreams
- IT Girl
- FUFN (Fuck You For Now)
- Plastic Box
- Midnight Cowboy
- Fantasy
- Unconditional
- Self Saboteur
- Lip Service
- Headache
- Natural At Disaster
- Glitch
- Before You Break My Heart
- Silent Disco
- Church
- This Is What We Dance For
- Dreamcheater
- Best You Could
- Use Me
- Frozen
- If My Heart Was A House
- TAR
“That’s Showbiz Baby! The Encore” chega às principais plataformas de áudio digital na próxima sexta-feira, dia 5 de Dezembro. Faça o pré-save ou obtenha sua cópia digital acessando este link.
O sucesso viral de Jade Thirlwall, “Angel of My Dreams”, pode ser o novo hino da Gay Guy Music Video Night, mas depois de anos viajando com o grupo feminino londrino Little Mix, a popstar de 32 anos está longe de ser novata. Após começar no The X Factor (Reino Unido), a britânica do norte passou anos navegando pelos altos e baixos da indústria musical, um tema que explora em seu álbum de estreia, That’s Showbiz Baby. Como ela conta à sua mentora, a cantora, produtora e apresentadora do RuPaul’s Drag Race, Michelle Visage, foi apenas ao seguir carreira solo que conseguiu conhecer todas as versões de si mesma.
JADE THIRLWALL: Olá!
MICHELLE VISAGE: Oi, garota. Como você está?
THIRLWALL: Estou bem, obrigada. Na verdade, estou aqui com a minha mãe.
VISAGE: Oi, Norma!
THIRLWALL: [Risos]
VISAGE: Como vocês estão?
THIRLWALL: Estamos bem. Acabei de fazer um ensaio fotográfico em Londres. Onde você está?
VISAGE: Estou na minha casa em Los Angeles. Estamos filmando agora, então fico aqui até agosto e depois vou para a Itália de férias, o que não tenho há oito anos.
THIRLWALL: Oito anos?
VISAGE: É. Tenho duas universidades para pagar, minha hipoteca e os aluguéis dos meus filhos. Então não posso parar de ralar.
THIRLWALL: Ela trabalha duro pela grana!
VISAGE: Sim. Bom, eu consegui ouvir o álbum inteiro.
THIRLWALL: Sério?
VISAGE: Sou virginiana. Eu faço o dever de casa. Adorei. É divertido, dançante e gostoso de ouvir. Mas vamos falar disso já já. Quero falar sobre sua estreia em Glastonbury. Me conta como foi para você.
THIRLWALL: Foi insano. Glastonbury sempre esteve na minha lista de desejos, mas na minha cabeça eu pensava: vai levar alguns anos até conquistar respeito suficiente para conseguir esse tipo de convite. Nunca conseguimos fazer como Little Mix porque esses festivais têm uma relação meio complicada com grupos femininos, então quando recebi a ligação, fiquei super emocionada. Acho que mostra o quanto eu evoluí e que a música que estou fazendo está valendo a pena.

VISAGE: E deveria mesmo. Eu vejo tudo o que você está fazendo, mas me senti um pouco como sua tia. Foi aquele momento de: “Estou tão orgulhosa de você.” Mas vamos voltar para “Angel of My Dreams”. A música é ótima, claro, mas o vídeo foi superinteligente e cheio de atitude. Os fãs de Little Mix sabem que Jade sempre foi a ovelha negra. Você seguiu um caminho diferente das outras meninas, e isso te tornou especial. Foi importante mostrar seu senso de humor nesse vídeo?
THIRLWALL: O primeiro single e o primeiro vídeo foram totalmente sobre mostrar ao mundo a Jade, e não apenas a Jade do Little Mix. Eu também tinha consciência de que o público que ouviria minha música talvez nunca tivesse ouvido falar do grupo, então pensei: como conto minha história em uma canção e em um clipe? Como crio algo que condense 11 anos na indústria em um momento caótico e engraçado, cheio de referências? A música é toda sobre meu relacionamento tóxico de amor e ódio com a indústria musical, e eu quis ser irônica com isso. Não ia começar lançando um vídeo do tipo “coitadinha de mim”.
VISAGE: Também gostei da forma como você mostrou às pessoas o quanto esse sempre foi o seu sonho — voltando ao X Factor e até à sua infância. Cantar sempre foi a única coisa que você quis fazer? Teve algum momento de pensar: “Se não der certo, quero fazer tal coisa”?
THIRLWALL: Eu até tinha um plano B, que era fazer faculdade de artes plásticas na esperança de desenhar cenários de teatro e coisas assim, mas meu sonho sempre foi fazer minha própria música. Venho de uma cidadezinha operária bem pequena no norte. Teria sido incrivelmente difícil realizar meus sonhos se não fossem programas como o X Factor. Tentei todos os outros caminhos para chegar lá, mas não teria como pagar a mudança para Londres.
VISAGE: Certo.
THIRLWALL: Por isso quis usar imagens minhas ainda criança cantando karaokê. Até hoje, quando vejo esse clipe, fico emocionada porque penso: “Nossa, mostra realmente de onde eu vim e até onde cheguei.” Mas ainda sinto que é só o começo. Estou começando minha carreira do zero de novo, e me sinto abençoada por poder fazer isso sozinha aos trinta e poucos anos. Estou muito mais confiante na minha própria pele neste ponto da vida.
VISAGE: Muito sábio da sua parte dizer isso. Só porque você esteve em um grupo super popular não significa que o sucesso solo está garantido. E graças a Deus você teve essa experiência nos seus vinte e poucos anos, porque agora você é uma mulher madura o suficiente para dizer: “Não vou fazer isso.”
THIRLWALL: Totalmente. Naquela época, a gente faria o que fosse preciso para conseguir. Não que eu não trabalhe duro hoje, mas conquistamos o direito de ter limites melhores entre vida pessoal e profissional. Venho de uma era da música em que ainda havia CDs e você tinha que ir a programas de TV grandes e estações de rádio. Mudou muito por causa das redes sociais. Quando vejo artistas como Chappell Roan se posicionando e dizendo: “Não estou de acordo com isso”, penso: “Caramba, é mesmo, eu até esqueci que você pode simplesmente dizer que não quer fazer algo.”
VISAGE: Nós não podíamos. Se alguém fazia algo que não gostávamos, tínhamos que ficar quietas e aceitar. Então você tem razão, você pode se impor, e eu encorajo isso. O que você diria para todos os jovens que se inspiram em você, mas que não têm dinheiro, contatos ou ferramentas para realizar esse sonho?
THIRLWALL: Não é preciso ter orçamento para criar arte incrível. Se você é um compositor incrível, é um compositor incrível. Só precisa trabalhar duro. Tem gente que faz um hit no TikTok e já acha: “Pronto, consegui.” Mas não, não, querido. Você precisa saber qual é a sua identidade como artista. Tem que praticar sua arte e ter um corpo de trabalho pronto. E eu digo isso não só como alguém que começou do nada. Mesmo agora, na carreira solo, eu não entro em uma gravadora pedindo: “Vocês podem me dizer quem eu sou?” Eu entro na sala dizendo: “Eu escrevi essa música, é assim que ela soa. Vocês teriam sorte de me contratar, e se não quiserem, vou encontrar alguém que queira.”
VISAGE: Você precisa saber o seu valor. Jade, você concorda que os homens escapam mais facilmente porque não estão sob o mesmo holofote? Divas pop, algumas recebem críticas por como tratam as pessoas. Vamos usar Jennifer Lopez como exemplo. Há uma lista enorme de pessoas falando de suas experiências com ela. Você se mantém atenta à equipe ao seu redor?
THIRLWALL: Acho muito importante ter por perto quem sempre esteve comigo, seja minha mãe, que me visita bastante, ou minha melhor amiga da escola, com quem ainda moro. Você não pode se cercar só de gente que diz “sim” para tudo. Além disso, você vai mais longe sendo uma boa pessoa. É possível ter sucesso e canalizar essa energia de diva no palco sem ser babaca fora dele. Trate as pessoas com respeito, até mesmo os assistentes de produção, porque você nunca sabe aonde elas vão chegar. Já estou na indústria há 14 anos, e frequentemente encontro pessoas que hoje são chefes de gravadora, mas que começaram como pesquisadores ou produtores juniores. Todo mundo está subindo a escada. Então não dê um chute neles na subida, porque eles vão chutar mais forte quando você descer.
VISAGE: É muito sábio da sua parte dizer isso. Só porque você esteve em um grupo superpopular não significa que o sucesso solo estaria garantido. E graças a Deus você teve essa experiência nos seus vinte e poucos anos, porque agora você é uma mulher madura o suficiente para dizer: “Não vou fazer isso.”
THIRLWALL: Com certeza. Naquela época, a gente faria qualquer coisa para conseguir. Não que eu não trabalhe duro hoje, mas conquistamos o direito de ter limites melhores entre vida pessoal e profissional. Venho de uma era da música em que ainda existiam os físicos e você fazia grandes programas de TV e rádios. Hoje mudou muito por causa das redes sociais. Quando vejo artistas como Chappell Roan se posicionando e dizendo: “Não estou de acordo com isso”, penso: “Caramba, é mesmo, eu até esqueci que você pode simplesmente dizer que não quer fazer algo.”
VISAGE: Nós não podíamos. Se alguém fazia algo que não gostávamos, tínhamos que ficar quietas e aceitar. Então você tem razão, você pode se impor, e eu encorajo isso. O que você diria para todos os jovens que se inspiram em você, mas que não têm dinheiro, contatos ou ferramentas para realizar esse sonho?
THIRLWALL: Não é preciso ter orçamento para criar arte incrível. Se você é um compositor incrível, é um compositor incrível. Só precisa trabalhar duro. Tem gente que faz um hit no TikTok e já acha: “Pronto, consegui.” Mas não, não, querido. Você precisa saber qual é a sua identidade como artista. Tem que praticar sua arte e ter um corpo de trabalho pronto. E eu digo isso não só como alguém que começou do nada. Mesmo agora, na carreira solo, eu não entro em uma gravadora pedindo: “Vocês podem me dizer quem eu sou?” Eu entro na sala dizendo: “Eu escrevi essa música, é assim que ela soa. Vocês teriam sorte de me contratar, e se não quiserem, vou encontrar alguém que queira.”
VISAGE: Você precisa saber o seu valor. Jade, você concorda que os homens escapam mais facilmente porque não estão sob o mesmo holofote? As divas pop, algumas recebem críticas pela forma como tratam as pessoas. Vamos usar Jennifer Lopez como exemplo. Há uma lista enorme de pessoas falando de suas experiências com ela. Você se mantém atenta à equipe ao seu redor?
THIRLWALL: Acho muito importante ter por perto quem sempre esteve comigo, seja minha mãe, que me visita bastante, ou minha melhor amiga da escola, com quem ainda moro. Você não pode se cercar só de gente que diz “sim” para tudo. Além disso, você vai mais longe sendo uma boa pessoa. É possível ter sucesso e canalizar essa energia de diva no palco sem ser babaca fora dele. Trate as pessoas com respeito, até mesmo os assistentes de produção, porque você nunca sabe aonde elas vão chegar. Já estou na indústria há 14 anos, e frequentemente encontro pessoas que hoje são chefes de gravadora, mas que começaram como pesquisadores ou produtores juniores. Todo mundo está subindo a escada. Então não dê um chute neles na subida, porque eles vão chutar mais forte quando você descer.

VISAGE: Qual é o sonho, Jade?
THIRLWALL: Fazer minha própria turnê mundial. Esse é meu sonho máximo.
VISAGE: Não acho que esteja muito longe disso. Então sonhe maior, vá em frente.
THIRLWALL: Quero fazer isso para sempre. Sei que todo mundo diz isso, mas quero estar no palco daqui a 30, 40 anos, ocupando o espaço lendário do Glastonbury e mostrando a todos que consegui continuar por anos e anos. Me inspiro em artistas como a Donna Summer, como a Janet Jackson, nas divas pop que resistiram ao tempo. Esse é o objetivo final. E sei que vai acontecer por causa do quanto eu trabalho e do quanto eu quero.
VISAGE: Você falou antes sobre talvez fazer faculdade de artes plásticas. Você pinta?
THIRLWALL: Eu amo pintar. No momento não tenho muito tempo, mas adoro me expressar. Às vezes crio os roteiros para meus clipes. Às vezes faço esboços para o merchandising. Estou sempre envolvida. Minha mãe até diz, porque tenho estado tão ocupada: “Quer deixar alguém fazer isso por você, só dessa vez?” E eu: “Nem pensar.” Tenho uma energia de capricorniana enorme. Quero estar à frente de tudo porque sei o quão bem vou fazer.
VISAGE: Sou virginiana, eu entendo. Isso também é trauma, mas falamos disso depois. [Risos]
THIRLWALL: É, eu só preciso estar envolvida em tudo porque eu realmente amo. Se você é artístico, consegue maquiar bem o próprio rosto. Consegue imaginar uma visão criativa para uma turnê. Isso realmente transborda para todas as partes do mundo de uma popstar.
VISAGE: Vou te encorajar a não deixar que outras pessoas façam suas coisas por você, porque, sendo virginiana, eu entendo. Nós duas somos signos de terra. Não conseguimos deixar para os outros. E, de novo, isso também é trauma falando. Dito isso, vou te encorajar a levar sempre um sketchbook com você. Mesmo que sua arte esteja vindo pela música e pelos visuais, não negligencie esse lado artístico das artes plásticas. Assim, talvez um dia, se você decidir ter filhos, adotar filhos, o que for, poderá desenhar os cenários de teatro das peças deles. Então eu vou te incentivar a alimentar essa parte da sua alma. Antes de terminarmos, quero te perguntar: qual é a coisa mais britânica sobre você?
THIRLWALL: Eu amo uma xícara de chá. É tão básico, mas em qualquer lugar do mundo, eu levo um saquinho de chá Yorkshire.
VISAGE: Você é do norte. Tem que ser Yorkshire. Você toma só com leite?
THIRLWALL: Coloco um pouquinho de leite de aveia. Sou uma rainha saudável.
VISAGE: Você sabe que fui treinada para reconhecer a cor perfeita de um chá do norte.
THIRLWALL: Você entende. Você é a anglófila suprema. Já é uma de nós. É como a Kylie [Minogue]. A gente até esquece que ela é australiana.
VISAGE: Bom, estou honrada, Jade. Olha, tenho orgulho de você pessoalmente, mas como amante da música pop e da dance music, acho que That’s Showbiz Baby é uma obra de arte maravilhosa, e estou muito orgulhosa de você. Mal posso esperar para ver todos os visuais que vão sair com os singles. Espero que você continue fazendo o que está fazendo e mantendo os pés no chão. Obrigada à Norma. O fato de você ser uma pessoa tão boa mostra muito sobre como foi criada. Você merece todo o sucesso. Eu te amo muito e tenho muito orgulho de você.
THIRLWALL: Obrigada. Também te amo. Estou tão feliz que você fez isso. Você é como minha segunda mãe.
VISAGE: Pode contar comigo, querida. Espero te ver em breve. Estarei em Londres em agosto e setembro, então, se você estiver por aqui, vamos tomar um chá.
THIRLWALL: Com certeza.
Depois de muita especulação e espera dos fãs, JADE finalmente anunciou seu álbum de estreia ‘THAT’S SHOWBIZ BABY!’ no dia 14 de maio, aniversário de 3 anos do hiatus do Little Mix.
O disco será lançado em 12 de setembro e conta com nomes como Mike Sabath – que produziu seu single de estreia, “Angel of My Dreams” – e RAYE.
“Este álbum levou anos para ser feito, então estou muito animada por finalmente poder avisar a todos quando ele será lançado”, disse JADE. “Estou muito orgulhosa de THAT’S SHOWBIZ BABY! como um todo e mal posso esperar para compartilhá-lo com o mundo. Poder apresentar o álbum ao vivo ainda este ano também é um sonho realizado. Vejo vocês em turnê!”
Ela também pegará a estrada em outubro deste ano, visitando Dublin, Belfast, Brighton, Manchester, Glasgow, Leeds, Birmingham e Newcastle, antes de terminar no Roundhouse de Londres.
Confira as datas abaixo:
OUTUBRO DE 2025
8 – Dublin, 3Olympia Theatre
9 – Belfast, Ulster Hall
11 – Brighton, Dome
12 – Manchester, Academy 1
13 – Glasgow, O2 Academy
15 – Leeds, O2 Academy
16 – Birmingham, O2 Academy 1
18 – Newcastle, O2 City Hall
19 – London, Roundhouse
Junto com essas duas novidades, JADE disponibilizou em seu site oficial o pré-save do disco, as cópias físicas e o merchandising oficial da era. Confira em imagens: