Arquivo de 'entrevista'



Na última semana, a conhecida Flaunt Magazine revelou a entrevista e ensaio exclusivos realizados com JADE durante sua passagem pela América do Norte. Confira a tradução na íntegra abaixo:

A primeira bailarina do filme The Red Shoes (1948), de Powell e Pressburger, não dança porque quer. Bem, no começo ela até quis — mas depois passa a dançar porque os sapatos a forçam. Assim que são amarrados ao seu corpo, transformam o ato da dança numa espécie de cativeiro: seus pés são movidos por uma vontade externa aterrorizante, arremessando-a por palcos, cidades e pela frágil fronteira entre devoção e auto aniquilação. Os sapatos não se importam com a sobrevivência da bailarina. O que importa para eles é que ela continue dançando.

No clímax delirante do filme, o teatro se desfaz. O palco se expande ao infinito. A plateia desaparece, restando apenas a dançarina e a sua compulsão. Como o mestre de balé Boris Lermontov comenta casualmente: “Ah, no fim, ela morre.” As sapatilhas pontiagudas, em toda a glória de seu vermelho tecnicolor, permanecem intactas. Esperam pacientemente. Sempre haverá outra bailarina.

A engrenagem do pop também se prende a uma garota ainda jovem. Ela a posiciona, aa limenta com aplausos como se fossem vitais. E quando chega a hora, se tiver muita sorte, ela aprenderá a desamarrar os próprios laços sem esquecer como dançar. Jade Thirlwall já sobreviveu a essa dança antes.

Agora se apresentando sob o monônimo JADE, a estrela pop de 33 anos ocupa um lugar raro e precário: o de uma artista pop renascida. Natural de South Shields, ela está no início de uma carreira solo e, ao mesmo tempo, entrando na segunda década como uma artista global. Seu álbum de estreia solo, lançado em Setembro do ano passado, THAT’S SHOWBIZ BABY!, funciona como uma autópsia rústica e reluzente, onde JADE disseca as condições sob as quais foi concebida.

JADE nasceu para o público geral como parte do organismo composto que foi o Little Mix: o girl group britânico dos anos 2010 formado por Thirlwall, Perrie Edwards, Leigh-Anne Pinnock e Jesy Nelson no The X Factor (UK), qual o reinado de uma década no topo do pop global foi um milagre. Girl groups são criados para acabar. Brilham intensamente e depois se fragmentam sob as pressões estruturais da visibilidade. O Little Mix contrariou a lógica industrial e o histórico do pop, abrindo caminho para os grupos femininos dos anos 2020.

O que resta do Little Mix segue próximo como sempre (a porta para uma reunião permanece aberta, pelo menos por parte de JADE: “É UM HIATO!”, ela exclamou ao avistar Perrie e Leigh-Anne durante um de seus shows em Londres em Agosto de 2025). Para uma ex-integrante de um grupo pop internacionalmente reconhecido, costuma ser considerado rude mencionar o passado na banda, como uma espécie de amnésia estratégica. Quando pergunto o que a leva a rejeitar a ambivalência típica da ascensão de sua carreira solo, ela responde com uma simplicidade desarmante: 

“Tenho um orgulho absurdo do que eu e as meninas conquistamos. É muito difícil um girl group dar certo e a gente durou uma década inteira. Isso não é pouca coisa na atual indústria musical, especialmente para um grupo pop feminino. Como não celebrar isso?”

Era inevitável, então, que seu álbum de estreia orbitasse sua própria história dentro da indústria da música. O disco gira em torno das delícias e dores do contrato emocional invisível que se firma quando uma mulher concorda em se expor profissionalmente. Com influências no maximalismo teatral de Madonna e pela dramaturgia emocional da Motown, THAT’S SHOWBIZ BABY! narra a dependência: o êxtase de ouvir seu nome ser gritado em uma casa de shows com as luzes ainda apagadas. O equilibrio psicológico por trás da busca pela validação externa e como separá-la de seu valor interno. A versão deluxe, THE ENCORE, amplia essa autópsia: “Church” serve como carta de amor aos fãs LGBTQIA+, “This Is What We Dance For” como confissão da ansiedade constante de quem vive na indústria.

“Acho que as estrelas do pop relutam em admitir o quão viciados somos nisso”,  diz. “Você se vicia nessa validação. Eu não gosto necessariamente de ser famosa, não gosto de não poder andar por aí sem ser reconhecida, mas estaria mentindo se dissesse que não amo ouvir os fãs gritarem ou cantarem minhas músicas para mim.”

Apesar de tudo, THAT’S SHOWBIZ BABY! ocupa um território instável e familiar para quem já amou algo que também lhe machucou. A dependência reaparece. O single principal, “Angel of My Dreams”, ataca essa dinâmica de forma incisiva, em letras que ela descreve como “tragicamente sinceras e desesperadas”. 

“A indústria consumiu minha vida”, ela conta, como quem fala de um ex-namorado. “Fiz muitos sacrifícios para fazer parte disso. Tive relacionamentos sabendo que nunca colocaria aquela pessoa acima da música. A música foi o amor da minha vida e, como todo relacionamento tóxico, tem pontos positivos e negativos.”

A oscilação entre autonomia e a submissão se reflete na estrutura sonora do álbum. O disco transita deliberadamente entre gêneros, priorizando a precisão emocional em vez da coesão. “Angel of My Dreams” começa em uma ilusão beatífica, deslumbrante e devocional, antes de virar a chave e lançar o ouvinte numa onda de estímulos sonoros. “Fantasy”, seu contraponto excessivo e libidinoso, mostra sua entrega aos prazeres do escapismo, celebrando a artificialidade do desejo em sua forma rapsódica e pop.

O amor inabalável de JADE pela indústria é palpável durante sua passagem pela América do Norte. Sua turnê, baseada em teatros clássicos, funciona como um programa de variedades onde JADE é, deliciosamente, todos os atos: cantora de cabaré, evangelista disco, comediante, figura messiânica entregando um “momento Evita” do camarote para uma plateia de garotas e gays. Sua formação teatral vem de uma infância mergulhada em Cabaret, West Side Story e A Chorus Line. Quando o conceito do álbum se consolidou, a teatralidade veio naturalmente:

“Eu sabia que faria algo teatral, então pensei: como criar um show que incorpore a essência do álbum e também esse caos? Eu sei que ainda não sou gigantesca”, diz ela, “então a ideia era fazer parecer o mais grandioso e bem pensado possível.”

Sua multiplicidade teatral nasce de uma compreensão aguçada da indústria:

 “Para ser uma boa estrela pop, você precisa ser um camaleão”, diz. “Você precisa se adaptar as mudanças e as atuaidades… uma boa popstar conhece seus fãs melhor do que ninguém. Não só a música, mas a coreografia, o palco, os figurinos, a personalidade. São muitas peças em movimento. Por isso o pop é um dos gêneros mais difíceis de sustentar por muito tempo.  Estar nessa indústria é brutal”, JADE continua. “Quando você entende isso e aprende a jogar a seu favor, você vira o jogo.”

O entendimento das engrenagens, das artificialidades e da sede por reinvenção moldou sua passagem pela América do Norte. 

“Parece que estou começando de novo”, diz, “mas agora eu sei quem eu sou… minha ideia de sucesso é outra.”

A recepção nos Estados Unidos, especialmente em espaços queer, foi imediata e fervorosa. Ela diz que não esperava essa onda de apoio. Conto que suas músicas ecoam em carros de aplicativo e pistas de West Hollywood, e que é difícil encontrá-la numa conversa sem que seja chamada de “mãe”. Ela ri, feliz enquanto se diverte:  “Os gays vieram com tudo.”

A mudança de público conversa diretamente com sua estética. Teatralidade rústica, melodrama autoconsciente e identidade performática fazem parte da lógica queer, e JADE é fluente nisso. Tão fluente que marcou o lançamento de “Fantasy” com uma coleção provocativa de produtos: butt plugs e outros personalizados com a marca da música. Podemos dizer que ela atravessou essa fase com confiança. Ao mesmo tempo, muitos fãs antigos do Little Mix retornaram à grade para testemunhar o “retorno da Messias”.

“Aqui nos Estados Unidos”, ela conta, “encontrei vários fãs dizendo: ‘Não acredito que você finalmente está aqui, estamos esperando desde 2011 por essa turnê’. Eu sei, eu concordo. Mas também é incrível ver tanta gente nos shows que nem conhecia o Little Mix e me amam como artista solo. Eu fico muito feliz com tudo isso, com os fãs do antigo e os do novo testamento”

É essa mistura de público que tornou possível sua primeira turnê solo como headliner, fãs apegados a memórias de uma década e jovens descobrindo-a sob luzes de uma disco-ball:

 “Eu e as meninas [do Little Mix] sempre sonhamos com uma turnê nossa”,  diz. “Sinto que faço isso pelo grupo e por mim. É um sonho realizado.”

Para o próximo ano, o plano é repetir a fórmula: escrever outro álbum, viajar mais, ampliar os espaços, expandir seu úniverso. À primeira vista, soa curioso ouvir alguém tão consciente das tribulações da indústria dizer com tanta segurança que quer continuar nela. Mas a relação agora é outra: se os sapatos vermelhos de Powell e Pressburger forçavam a bailarina a dançar até sua aniquilação, JADE parece estar no controle de seus próprios cadarços. Ela dança com autoridade sua própria coreografia. Os aplausos continuam viciantes, os fãs continuam famintos. Mas há um entendimento mútuo: enquanto ela estiver no controle, ela não vai parar.

“Acho que, para mim, o sonho é evoluir. Vou surpreender as pessoas de novo. Quero turnês maiores, viajar para mais lugares”, JADE olha para as próprias mãos, abrindo-as como quem mede o espaço. “Quero que tudo fique cada vez maior.”

Postado por: Brenda Barroso
Por Michelle Visage para Interview Magazine
Fotografia: Richie Shazam
Vestida por Abby Benchie

O sucesso viral de Jade Thirlwall, “Angel of My Dreams”, pode ser o novo hino da Gay Guy Music Video Night, mas depois de anos viajando com o grupo feminino londrino Little Mix, a popstar de 32 anos está longe de ser novata. Após começar no The X Factor (Reino Unido), a britânica do norte passou anos navegando pelos altos e baixos da indústria musical, um tema que explora em seu álbum de estreia, That’s Showbiz Baby. Como ela conta à sua mentora, a cantora, produtora e apresentadora do RuPaul’s Drag Race, Michelle Visage, foi apenas ao seguir carreira solo que conseguiu conhecer todas as versões de si mesma.

TERÇA-FEIRA, 17H — 3 DE JULHO DE 2025, LONDRES

JADE THIRLWALL: Olá!
MICHELLE VISAGE: Oi, garota. Como você está?
THIRLWALL: Estou bem, obrigada. Na verdade, estou aqui com a minha mãe.
VISAGE: Oi, Norma!
THIRLWALL: [Risos]
VISAGE: Como vocês estão?
THIRLWALL: Estamos bem. Acabei de fazer um ensaio fotográfico em Londres. Onde você está?
VISAGE: Estou na minha casa em Los Angeles. Estamos filmando agora, então fico aqui até agosto e depois vou para a Itália de férias, o que não tenho há oito anos.
THIRLWALL: Oito anos?
VISAGE: É. Tenho duas universidades para pagar, minha hipoteca e os aluguéis dos meus filhos. Então não posso parar de ralar.
THIRLWALL: Ela trabalha duro pela grana!
VISAGE: Sim. Bom, eu consegui ouvir o álbum inteiro.
THIRLWALL: Sério?
VISAGE: Sou virginiana. Eu faço o dever de casa. Adorei. É divertido, dançante e gostoso de ouvir. Mas vamos falar disso já já. Quero falar sobre sua estreia em Glastonbury. Me conta como foi para você.

THIRLWALL: Foi insano. Glastonbury sempre esteve na minha lista de desejos, mas na minha cabeça eu pensava: vai levar alguns anos até conquistar respeito suficiente para conseguir esse tipo de convite. Nunca conseguimos fazer como Little Mix porque esses festivais têm uma relação meio complicada com grupos femininos, então quando recebi a ligação, fiquei super emocionada. Acho que mostra o quanto eu evoluí e que a música que estou fazendo está valendo a pena.

VISAGE: E deveria mesmo. Eu vejo tudo o que você está fazendo, mas me senti um pouco como sua tia. Foi aquele momento de: “Estou tão orgulhosa de você.” Mas vamos voltar para “Angel of My Dreams”. A música é ótima, claro, mas o vídeo foi superinteligente e cheio de atitude. Os fãs de Little Mix sabem que Jade sempre foi a ovelha negra. Você seguiu um caminho diferente das outras meninas, e isso te tornou especial. Foi importante mostrar seu senso de humor nesse vídeo?

THIRLWALL: O primeiro single e o primeiro vídeo foram totalmente sobre mostrar ao mundo a Jade, e não apenas a Jade do Little Mix. Eu também tinha consciência de que o público que ouviria minha música talvez nunca tivesse ouvido falar do grupo, então pensei: como conto minha história em uma canção e em um clipe? Como crio algo que condense 11 anos na indústria em um momento caótico e engraçado, cheio de referências? A música é toda sobre meu relacionamento tóxico de amor e ódio com a indústria musical, e eu quis ser irônica com isso. Não ia começar lançando um vídeo do tipo “coitadinha de mim”.

VISAGE: Também gostei da forma como você mostrou às pessoas o quanto esse sempre foi o seu sonho — voltando ao X Factor e até à sua infância. Cantar sempre foi a única coisa que você quis fazer? Teve algum momento de pensar: “Se não der certo, quero fazer tal coisa”?

THIRLWALL: Eu até tinha um plano B, que era fazer faculdade de artes plásticas na esperança de desenhar cenários de teatro e coisas assim, mas meu sonho sempre foi fazer minha própria música. Venho de uma cidadezinha operária bem pequena no norte. Teria sido incrivelmente difícil realizar meus sonhos se não fossem programas como o X Factor. Tentei todos os outros caminhos para chegar lá, mas não teria como pagar a mudança para Londres.

VISAGE: Certo.

THIRLWALL: Por isso quis usar imagens minhas ainda criança cantando karaokê. Até hoje, quando vejo esse clipe, fico emocionada porque penso: “Nossa, mostra realmente de onde eu vim e até onde cheguei.” Mas ainda sinto que é só o começo. Estou começando minha carreira do zero de novo, e me sinto abençoada por poder fazer isso sozinha aos trinta e poucos anos. Estou muito mais confiante na minha própria pele neste ponto da vida.

VISAGE: Muito sábio da sua parte dizer isso. Só porque você esteve em um grupo super popular não significa que o sucesso solo está garantido. E graças a Deus você teve essa experiência nos seus vinte e poucos anos, porque agora você é uma mulher madura o suficiente para dizer: “Não vou fazer isso.”

THIRLWALL: Totalmente. Naquela época, a gente faria o que fosse preciso para conseguir. Não que eu não trabalhe duro hoje, mas conquistamos o direito de ter limites melhores entre vida pessoal e profissional. Venho de uma era da música em que ainda havia CDs e você tinha que ir a programas de TV grandes e estações de rádio. Mudou muito por causa das redes sociais. Quando vejo artistas como Chappell Roan se posicionando e dizendo: “Não estou de acordo com isso”, penso: “Caramba, é mesmo, eu até esqueci que você pode simplesmente dizer que não quer fazer algo.”

VISAGE: Nós não podíamos. Se alguém fazia algo que não gostávamos, tínhamos que ficar quietas e aceitar. Então você tem razão, você pode se impor, e eu encorajo isso. O que você diria para todos os jovens que se inspiram em você, mas que não têm dinheiro, contatos ou ferramentas para realizar esse sonho?

THIRLWALL: Não é preciso ter orçamento para criar arte incrível. Se você é um compositor incrível, é um compositor incrível. Só precisa trabalhar duro. Tem gente que faz um hit no TikTok e já acha: “Pronto, consegui.” Mas não, não, querido. Você precisa saber qual é a sua identidade como artista. Tem que praticar sua arte e ter um corpo de trabalho pronto. E eu digo isso não só como alguém que começou do nada. Mesmo agora, na carreira solo, eu não entro em uma gravadora pedindo: “Vocês podem me dizer quem eu sou?” Eu entro na sala dizendo: “Eu escrevi essa música, é assim que ela soa. Vocês teriam sorte de me contratar, e se não quiserem, vou encontrar alguém que queira.”

VISAGE: Você precisa saber o seu valor. Jade, você concorda que os homens escapam mais facilmente porque não estão sob o mesmo holofote? Divas pop, algumas recebem críticas por como tratam as pessoas. Vamos usar Jennifer Lopez como exemplo. Há uma lista enorme de pessoas falando de suas experiências com ela. Você se mantém atenta à equipe ao seu redor?

THIRLWALL: Acho muito importante ter por perto quem sempre esteve comigo, seja minha mãe, que me visita bastante, ou minha melhor amiga da escola, com quem ainda moro. Você não pode se cercar só de gente que diz “sim” para tudo. Além disso, você vai mais longe sendo uma boa pessoa. É possível ter sucesso e canalizar essa energia de diva no palco sem ser babaca fora dele. Trate as pessoas com respeito, até mesmo os assistentes de produção, porque você nunca sabe aonde elas vão chegar. Já estou na indústria há 14 anos, e frequentemente encontro pessoas que hoje são chefes de gravadora, mas que começaram como pesquisadores ou produtores juniores. Todo mundo está subindo a escada. Então não dê um chute neles na subida, porque eles vão chutar mais forte quando você descer.

VISAGE: É muito sábio da sua parte dizer isso. Só porque você esteve em um grupo superpopular não significa que o sucesso solo estaria garantido. E graças a Deus você teve essa experiência nos seus vinte e poucos anos, porque agora você é uma mulher madura o suficiente para dizer: “Não vou fazer isso.”

THIRLWALL: Com certeza. Naquela época, a gente faria qualquer coisa para conseguir. Não que eu não trabalhe duro hoje, mas conquistamos o direito de ter limites melhores entre vida pessoal e profissional. Venho de uma era da música em que ainda existiam os físicos e você fazia grandes programas de TV e rádios. Hoje mudou muito por causa das redes sociais. Quando vejo artistas como Chappell Roan se posicionando e dizendo: “Não estou de acordo com isso”, penso: “Caramba, é mesmo, eu até esqueci que você pode simplesmente dizer que não quer fazer algo.”

VISAGE: Nós não podíamos. Se alguém fazia algo que não gostávamos, tínhamos que ficar quietas e aceitar. Então você tem razão, você pode se impor, e eu encorajo isso. O que você diria para todos os jovens que se inspiram em você, mas que não têm dinheiro, contatos ou ferramentas para realizar esse sonho?

THIRLWALL: Não é preciso ter orçamento para criar arte incrível. Se você é um compositor incrível, é um compositor incrível. Só precisa trabalhar duro. Tem gente que faz um hit no TikTok e já acha: “Pronto, consegui.” Mas não, não, querido. Você precisa saber qual é a sua identidade como artista. Tem que praticar sua arte e ter um corpo de trabalho pronto. E eu digo isso não só como alguém que começou do nada. Mesmo agora, na carreira solo, eu não entro em uma gravadora pedindo: “Vocês podem me dizer quem eu sou?” Eu entro na sala dizendo: “Eu escrevi essa música, é assim que ela soa. Vocês teriam sorte de me contratar, e se não quiserem, vou encontrar alguém que queira.”

VISAGE: Você precisa saber o seu valor. Jade, você concorda que os homens escapam mais facilmente porque não estão sob o mesmo holofote? As divas pop, algumas recebem críticas pela forma como tratam as pessoas. Vamos usar Jennifer Lopez como exemplo. Há uma lista enorme de pessoas falando de suas experiências com ela. Você se mantém atenta à equipe ao seu redor?

THIRLWALL: Acho muito importante ter por perto quem sempre esteve comigo, seja minha mãe, que me visita bastante, ou minha melhor amiga da escola, com quem ainda moro. Você não pode se cercar só de gente que diz “sim” para tudo. Além disso, você vai mais longe sendo uma boa pessoa. É possível ter sucesso e canalizar essa energia de diva no palco sem ser babaca fora dele. Trate as pessoas com respeito, até mesmo os assistentes de produção, porque você nunca sabe aonde elas vão chegar. Já estou na indústria há 14 anos, e frequentemente encontro pessoas que hoje são chefes de gravadora, mas que começaram como pesquisadores ou produtores juniores. Todo mundo está subindo a escada. Então não dê um chute neles na subida, porque eles vão chutar mais forte quando você descer.

VISAGE: Qual é o sonho, Jade?

THIRLWALL: Fazer minha própria turnê mundial. Esse é meu sonho máximo.

VISAGE: Não acho que esteja muito longe disso. Então sonhe maior, vá em frente.

THIRLWALL: Quero fazer isso para sempre. Sei que todo mundo diz isso, mas quero estar no palco daqui a 30, 40 anos, ocupando o espaço lendário do Glastonbury e mostrando a todos que consegui continuar por anos e anos. Me inspiro em artistas como a Donna Summer, como a Janet Jackson, nas divas pop que resistiram ao tempo. Esse é o objetivo final. E sei que vai acontecer por causa do quanto eu trabalho e do quanto eu quero.

VISAGE: Você falou antes sobre talvez fazer faculdade de artes plásticas. Você pinta?

THIRLWALL: Eu amo pintar. No momento não tenho muito tempo, mas adoro me expressar. Às vezes crio os roteiros para meus clipes. Às vezes faço esboços para o merchandising. Estou sempre envolvida. Minha mãe até diz, porque tenho estado tão ocupada: “Quer deixar alguém fazer isso por você, só dessa vez?” E eu: “Nem pensar.” Tenho uma energia de capricorniana enorme. Quero estar à frente de tudo porque sei o quão bem vou fazer.

VISAGE: Sou virginiana, eu entendo. Isso também é trauma, mas falamos disso depois. [Risos]

THIRLWALL: É, eu só preciso estar envolvida em tudo porque eu realmente amo. Se você é artístico, consegue maquiar bem o próprio rosto. Consegue imaginar uma visão criativa para uma turnê. Isso realmente transborda para todas as partes do mundo de uma popstar.

VISAGE: Vou te encorajar a não deixar que outras pessoas façam suas coisas por você, porque, sendo virginiana, eu entendo. Nós duas somos signos de terra. Não conseguimos deixar para os outros. E, de novo, isso também é trauma falando. Dito isso, vou te encorajar a levar sempre um sketchbook com você. Mesmo que sua arte esteja vindo pela música e pelos visuais, não negligencie esse lado artístico das artes plásticas. Assim, talvez um dia, se você decidir ter filhos, adotar filhos, o que for, poderá desenhar os cenários de teatro das peças deles. Então eu vou te incentivar a alimentar essa parte da sua alma. Antes de terminarmos, quero te perguntar: qual é a coisa mais britânica sobre você?

THIRLWALL: Eu amo uma xícara de chá. É tão básico, mas em qualquer lugar do mundo, eu levo um saquinho de chá Yorkshire.

VISAGE: Você é do norte. Tem que ser Yorkshire. Você toma só com leite?

THIRLWALL: Coloco um pouquinho de leite de aveia. Sou uma rainha saudável.

VISAGE: Você sabe que fui treinada para reconhecer a cor perfeita de um chá do norte.

THIRLWALL: Você entende. Você é a anglófila suprema. Já é uma de nós. É como a Kylie [Minogue]. A gente até esquece que ela é australiana.

VISAGE: Bom, estou honrada, Jade. Olha, tenho orgulho de você pessoalmente, mas como amante da música pop e da dance music, acho que That’s Showbiz Baby é uma obra de arte maravilhosa, e estou muito orgulhosa de você. Mal posso esperar para ver todos os visuais que vão sair com os singles. Espero que você continue fazendo o que está fazendo e mantendo os pés no chão. Obrigada à Norma. O fato de você ser uma pessoa tão boa mostra muito sobre como foi criada. Você merece todo o sucesso. Eu te amo muito e tenho muito orgulho de você.

THIRLWALL: Obrigada. Também te amo. Estou tão feliz que você fez isso. Você é como minha segunda mãe.

VISAGE: Pode contar comigo, querida. Espero te ver em breve. Estarei em Londres em agosto e setembro, então, se você estiver por aqui, vamos tomar um chá.

THIRLWALL: Com certeza.

Hair: Francis Rodriguez using Oribe.
Makeup: Kye Quinlan.
Nails: Juan Alvear using OPI at Opus Beauty.
Set Design: Lane Vineyard.
Lighting Technician: Billy Cole Landers.
Photography Assistant: Austin Dewitt.
Fashion Assistants: Jackson Prus and Madison Moore.
Production Assistant: Chancey Bridges.
Post-production: Lorenzo Fariello.
Postado por: Eduarda Altmann

“Não vou adoçar a verdade.”

JADE fala sobre Little Mix, sua carreira solo e seu novo single sincero, “IT Girl”

Antes de Jade Thirlwall ser a Jade do Little Mix, ela era a Jade de South Shields, concorrente número 159420 no The X Factor. Foi nesse programa, em 2011, que Thirlwall, então com 18 anos e rosto de menina, uniu-se a outras três adolescentes cheias de esperança para formar o Little Mix, iniciando uma cadeia de eventos que as transformaria no maior, mais vendido e premiado grupo feminino do Reino Unido desde as Spice Girls.

Já se passaram três anos desde que o Little Mix anunciou sua pausa, em 2022 – uma eternidade no mundo da música. Mas, em poucos minutos após encontrar Thirlwall, agora com 32 anos, sou rapidamente lembrado da força com que o pop chiclete e afiado do grupo dominava o país. O refrão de “Shout Out to My Ex” – um dos vários números 1; uma verdadeira obra-prima em sua crítica feroz a um ex-namorado ruim – vem à mente instantaneamente, tão fácil de lembrar quanto o nome do meu primeiro animal de estimação ou o aniversário da minha mãe.

Thirlwall entra no restaurante em modo de megastar, ou seja, incognita. A aba de seu chapéu felpudo com estampa de leopardo cobre seus olhos enquanto ela se senta apressadamente à nossa mesa no andar de cima, sem ser notada pelas pessoas curiosas no andar de baixo. Ela está usando um suéter folgado e calças de moletom xadrez vermelho. Em qualquer outra pessoa, isso poderia parecer um pijama.

Há, claro, algo faltando nesta cena. Ou melhor, três coisas: os rostos amigáveis de suas colegas de banda do Little Mix, que por tanto tempo estiveram lado a lado com Thirlwall. Hoje, é apenas ela. As entrevistas são diferentes “porque não tenho minhas meninas me incentivando”, ela diz, relembrando uma das primeiras entrevistas do grupo. “Perguntaram para a gente qual era o cheiro do amor, e respondemos ‘P**t*!’ Thirlwall é bastante divertida sozinha. O que é algo bom, considerando que agora ela está tentando seguir carreira solo. Como JADE, ela lançou seu hit de estreia, “Angel of My Dreams”, em julho passado, seguido por “Fantasy” e “Midnight Cowboy”. O próximo lançamento é “IT Girl”, uma faixa de dance-pop que ela gosta de descrever – me conta com um sorriso animado – como “a irmãzinha p**t* de ‘Angel of My Dreams’”. Ambas têm batidas graves, sintetizadores intensos e críticas afiadas à indústria que a moldou.

Com lançamento marcado para 10 de janeiro, “IT Girl” é um eletro-pop acelerado e poderoso sobre ser cutucada, pressionada, fotografada e penalizada como uma mulher sob os holofotes. Dito isso, Thirlwall está longe de reclamar. Em vez disso, há uma ameaça sutil em seus vocais: “I’m not your thing/ I’m not your baby doll/ Not your puppet on a string” (“Não sou sua coisa/ Não sou sua bonequinha/ Nem sua marionete”) . Quase dá para ouvir o sorriso irônico quando ela declara, com um tom provocador: “You’ll never own me/ Na-na-na-na-na” (“Você nunca vai me controlar/ Na-na-na-na-na”).

Como todas as suas produções solo até agora, “IT Girl” é vibrante e flexível, desafiando os limites da música pop e quaisquer expectativas que possamos ter tido.

“Ainda há muito que as pessoas não sabem sobre mim, então eu estava ansiosa para surpreendê-las, cutucar a fera um pouco.”

“Eu realmente fiquei ansiosa por irritar pessoas ou enfrentar algum tipo de reação negativa, mas eu preciso escrever sobre minhas experiências – não vou adoçar a verdade. É, sabe, a minha realidade.”

Se a Jade do Little Mix nasceu naquele fatídico dia no The X Factor, esta Jade – a que está diante de mim, atualmente conduzindo sua carreira solo de pop avant-garde – nasceu anos antes, no restaurante italiano de sua cidade natal, South Shields. Lá, ainda pré-adolescente, ela cantava músicas de Britney Spears para aposentados como se estivesse liderando sua própria residência em Las Vegas. “Eu cantava ‘If You Seek Amy’ enquanto pessoas de meia-idade tentavam aproveitar suas lasanhas”, ela diz, rindo. “Acho que sempre soube que queria ser uma estrela pop.”

Thirlwall é uma aluna dedicada do pop, aprendendo aos pés de gigantes: Britney, Madonna, Gaga, Beyoncé. “Com o Little Mix, eram músicas sobre términos de relacionamento e empoderamento feminino, que eu amo, mas agora estou fazendo isso do meu próprio jeito. Agora é algo muito mais pessoal para mim,” ela diz. “É para os gays e as garotas.”

Essa última parte rapidamente se tornou uma piada recorrente entre os fãs. Não é intencional, diz Thirlwall: “Acontece naturalmente. Fui muito influenciada por essa cultura, seja pela cena dos clubes ou pela minha família e amigos ao meu redor em Londres.” Ela tem cuidado para não soar performática. “Tipo ‘yas queen’ e essas coisas”, diz Thirlwall, fazendo uma careta. “É um equilíbrio complicado de navegar, porque acho que, como aliada, você não quer exagerar.”

Ajuda o fato de Thirlwall ter passado boa parte de sua carreira defendendo a comunidade LGBT+: em 2021, ela ganhou o prêmio Allyship da Gay Times. E quando erra, é a primeira a admitir. Quando o Little Mix foi criticado pelo videoclipe de “Confetti”, no qual as integrantes se vestiram de drag, mas não destacaram artistas drag reais, Thirlwall aceitou a crítica. “Estamos em um momento assustador agora, com a cultura do cancelamento – que obviamente algumas pessoas merecem mais que outras,” ela diz. “Mas quando você está apenas tentando existir como um ser humano, vai cometer erros, e às vezes a chave é dizer: ‘Sim, isso foi uma m**** e foi culpa minha. Desculpa.’”

Seus fãs são praticamente a única razão pela qual ela volta ao Twitter, apesar de rotineiramente deletar sua conta.

“É um poço de ódio, mas, ao mesmo tempo, eu realmente amo quando os fãs dão críticas genuínas sobre algo na campanha,” diz ela, citando “IT Girl” como exemplo. Originalmente, a música se chamava “That’s Showbiz, Baby” até que os fãs sugeriram outra coisa. “Você tem que ouvir, né?” ela sorri.

Exceto, é claro, pelas vezes em que as pessoas disparam insultos de trás de uma tela. Thirlwall ainda se surpreende com o fato de os trolls conseguirem atingi-la. “Faço isso há tanto tempo e já recebi muitos comentários negativos ao longo dos anos, o que me deu uma pele grossa,” diz ela. “Mas acho que éramos um pouco protegidas porque tínhamos umas às outras, e agora estou realmente sozinha. As pessoas sempre encontram algo para criticar; se não é a música, é a minha aparência, o fato de eu ter engordado, a campanha ou qualquer outra coisa. É literalmente sempre algo.”

“Ainda é um conceito tão bizarro para mim,” ela acrescenta. “Você não anda pela rua e tem alguém passando por você dizendo: ‘Você está horrível hoje.’”

Essa é uma mulher corajosa o suficiente para se apresentar ao julgamento não apenas uma, mas três vezes no The X Factor antes de conseguir passar. Olhando para trás, Thirlwall reconhece que havia várias coisas sobre o programa que eram “bem ferradas”. Por exemplo, todas as participantes femininas, independentemente da idade, dividiam beliches em um grande dormitório. “Mesmo aos 18 anos, eu sabia que havia pessoas ali que não estavam mentalmente bem, mantendo todo mundo acordado à noite,” ela relembra. “Nem sei se havia segurança do lado de fora da casa. É assustador pensar nisso agora, mas eu era jovem demais para perceber na época.”

Liam Payne vem à mente. A estrela do One Direction fez o teste na mesma temporada que Thirlwall; ambos tinham 14 anos quando subiram ao palco. Ele morreu tragicamente em um acidente relacionado a drogas em outubro. Hoje, no entanto, fui orientado a não mencionar sua morte.

Quando The X Factor exibiu seu episódio final em 2018, Thirlwall comemorou seu encerramento. “Acho que tinha que acabar,” ela diz com seriedade. “Não acho que esse tipo de programa possa existir mais. Estamos em um lugar diferente agora.” De que forma? “Não colocaríamos alguém mentalmente instável na TV para rirmos enquanto eles cantam terrivelmente. O conceito de um ‘ato cômico’ no programa é simplesmente cruel. É tudo muito ‘Império Romano’.” Thirlwall faz uma pausa. “Mas, ao mesmo tempo, não foi o melhor treinamento que eu poderia ter para entrar na indústria da música?”

Os sentimentos de Thirlwall em relação ao The X Factor são muito parecidos com seus sentimentos pela indústria como um todo: agridoce.

“Eu não conheço ninguém que tenha saído daquele programa sem algum tipo de problema de saúde mental.”

Mas, ao mesmo tempo, pessoalmente, ainda me sinto conflitante em criticá-lo, porque mudou minha vida. Eu vinha de uma família trabalhadora muito comum do norte, tinha tentado enviar demos para gravadoras, fiz shows em vários lugares, estava fazendo tudo o que podia para conseguir, e precisava de um programa como aquele para me dar uma chance.

Thirlwall foi uma das sortudas. “Eu diria que cinco por cento das pessoas que participaram saíram não ilesas, mas sobreviveram; os outros 95 por cento sofreram em silêncio,” ela diz. “Como você passa de estar naquele programa para voltar ao seu trabalho das nove às cinco? Como você assina com uma gravadora, acha que conseguiu, e, então, quando sua música não chega ao Top 10, você é simplesmente descartado? É tão brutal, essa máquina da qual fazemos parte. Mesmo naquela época, sabíamos como éramos sortudas todos os dias por ainda estarmos assinadas.”

Para os cínicos, a história de origem do Little Mix pode parecer um pouco sem alma: uma máquina comercial de música juntando peças de um quebra-cabeça financeiramente viável. A própria Thirlwall tinha apreensões, franzindo o nariz quando a jurada Kelly Rowland sugeriu colocá-la em um grupo. “Tive flashes do Pussycat Dolls,” ela diz agora.

“Eu tinha acabado de fazer 18 anos e estava em pânico com a possibilidade de ser hipersexualizada, porque não acho que havia nada remotamente sexy em mim.”

Thirlwall, sabendo que era “introvertida, tímida e com gostos excêntricos”, também temia o conflito que achava inevitável em um grupo feminino. “Pensei em cantoras principais e brigas, porque a imprensa sempre falava sobre rivalidades em girlbands… Eu pensava, ‘Meu Deus, como isso vai funcionar?’”

Felizmente, funcionou. “Os astros se alinharam,” ela diz. “Não sei se você acredita nessas coisas, mas quando nos colocaram juntas no palco pela primeira vez e os jurados perguntaram se conseguiríamos fazer funcionar, eu simplesmente olhei para eles e literalmente imaginei a gente sendo gigantes. Tive aquela sensação estranha no estômago – e todas estavam vestidas tão desajeitadas quanto eu. E tínhamos todas a mesma altura.”

Isso não quer dizer que não houve desafios. A competição foi incentivada entre elas; no começo, a ideia de uma vocalista principal foi repetidamente sugerida. “Nós dissemos não. Todas queríamos ser iguais e fomos muito firmes quanto a isso,” diz Thirlwall. “Acho que essa foi uma das razões pelas quais duramos tanto tempo: ninguém era vista como a principal ou a melhor.”

O que Thirlwall encontrou no Little Mix não foi o drama de divas que temia, mas uma irmandade que se mostrou inestimável quando a dimensão total do que elas haviam conquistado se revelou. Em 2018, o Little Mix lançou “Strip”, inspirada por uma matéria sensacionalista que atacava a aparência de Perrie Edwards e Thirlwall. A música foi acompanhada por um ensaio fotográfico em que elas apareceram nuas, com vários insultos que receberam estampados em tinta preta em seus corpos. Como esperado, Piers Morgan rapidamente comentou: “O que há de empoderador nisso? É usar sexo para vender discos.” Meses depois, elas incluíram o trecho de Good Morning Britain em sua turnê.

“Mexeu com as pessoas certas,” diz Thirlwall. “No momento em que você faz um movimento estratégico como aquele, está dizendo ao mundo que já viu de tudo e não se importa mais.” Ela nunca foi do tipo que se encolhe. Quando Noel Gallagher criticou o Little Mix após elas ganharem o prêmio Brit de Melhor Grupo Britânico em 2021, alegando falsamente que elas não escreviam suas próprias músicas, Thirlwall apareceu no programa Never Mind the Buzzcocks com uma resposta brilhante: “É uma pena, porque definitivamente somos o grupo feminino de maior sucesso do país, e ele nem é o artista mais bem-sucedido da própria família.”

“Não me importo em responder ou rebater as pessoas.”

“Especialmente nesse caso – é como, ‘Cala a boca!’ Tão cansativo!” Para ser justa, ela acrescenta: “Parte de mim tem orgulho disso. É um sinal de que você está indo bem quando os Gallagher decidem arrumar briga.

Já se passaram 14 anos desde que o Little Mix se formou. “Parecia que era a gente contra o mundo,” diz Thirlwall. “Até mesmo no sentido da feminilidade, todas tínhamos nossos ciclos menstruais ao mesmo tempo. Estávamos juntas 24 horas por dia, 7 dias por semana, então nossos corpos estavam literalmente alinhados.” Elas chegavam ao estúdio todas vestindo a mesma cor ou roupa.

“Odiávamos nos separar para fazer entrevistas ou ir a eventos sozinhas. Era um pouco de codependência,” ela admite. “Acho que é por isso que, quando entramos em hiato, foi quase como um término de relacionamento.”

Quando cada uma começou a escrever sua música solo, havia um senso de competição entre irmãs? “Isso é meio que imposto pelo público ou pelos fãs, então não queríamos fazer parte disso.” Thirlwall tem poucos arrependimentos sobre aquela época de sua vida. “Talvez eu tivesse tirado mais tempo para mim,” reflete.

“Quando as coisas ficavam um pouco difíceis para mim mentalmente, ter a força de dizer ‘Não, eu preciso de uma pausa.'” Mas ninguém quer ser a pessoa a apertar o botão de pausa. “E uma máquina de música em linha de montagem, você produz música, depois vai em turnê, e então tem duas semanas de folga no Natal antes de voltar para o jogo,” diz ela, exausta só de contar. “Era como se estivéssemos nessa roda, e ela ficava cada vez mais rápida até que as rodas simplesmente caíram.” Outro grande arrependimento de Thirlwall é não ter falado sobre sua herança árabe mais cedo. (Ela é um quarto iemenita e um quarto egípcia.) Havia uma grande comunidade iemenita em South Shields, e Thirlwall cresceu ao lado de uma mesquita. Mas as coisas mudaram em 2001. “Quando o 11 de setembro aconteceu, percebi claramente a mudança na narrativa,” ela relembra. “Vi pessoas sendo cruéis com meu avô ou gritando insultos do lado de fora da mesquita. Desde cedo, percebi que as pessoas não gostam dessa parte da minha herança.” Esses medos se confirmaram quando ela entrou no ensino médio, onde foi alvo de bullying por ter origem árabe. “Quando entrei na banda e me mudei para Londres, de repente todo mundo queria saber de onde eu era,” ela conta. “Ninguém nunca tinha realmente me perguntado isso antes, porque as pessoas na minha cidade já sabiam, então a ideia de ser racialmente ambígua ou ‘passar por branca’ era nova para mim. Pensei, talvez seja melhor assim, entrando na indústria… Tudo o que eu via eram matérias negativas sobre pessoas muçulmanas, pessoas árabes. Eu tinha medo de promover isso.”

Ficar em silêncio talvez seja o maior arrependimento de sua vida.

“Isso me entristece agora, porque tenho muito orgulho da minha herança hoje, mas acho que preciso perdoar meu eu mais jovem por isso,” ela diz. “Não acho que seja nunca tarde demais para abraçar quem você é.”

Matéria: https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/music/features/jade-little-mix-it-girl-solo-b2673312.html

Postado por: Brenda Barroso

“Você pode ser várias coisas ao mesmo tempo. Sou uma garota pop destemida, quero cutucar a fera e ultrapassar limites.”

Em sua época pós-grupo feminino, a sereia de South Shields está codificando sua história em canções artísticas que exploram o paradoxo da fama. Apertem os cintos, estamos indo para o destino pop do ano.

Essa pode estar no top 10 das músicas do ano. Temo que ela seja uma estrela global inevitável”, declara um usuário do Twitter (ou melhor, do X) como um oráculo. O “temo” aqui é uma gíria memética que significa: todos devemos nos preparar para o que está por vir. Fãs de pop (ou sua versão mais militante, os stans) com contas que possuem milhares de seguidores são os fanzines digitais dos dias de hoje. Ignorando perfis detalhados, resenhas encomendadas e entrevistas televisionadas, esses espaços online democratizaram as discussões sobre artistas. Seu poder é imenso, mas descontrolado: eles anunciam e autenticam quais estrelas em ascensão são dignas de adoração.

Esse endosso específico é reservado para Jade Thirlwall – reintroduzida mononimamente como JADE – e seus primeiros passos orquestrados como artista solo. A música em questão é Midnight Cowboy, nomeada em homenagem ao filme de 1969 com classificação para adultos e coescrita com a hitmaker Raye – uma abstração de R&B que Jade descreve como “um gosto de liberdade”. Tweets como esse não são isolados. Eles se juntam a um coro de elogios para a artista de 31 anos e seu primeiro lançamento, Angel Of My Dreams.

Jade vinha trabalhando em material solo há mais de um ano, dividindo boa parte de seu tempo entre Londres e Los Angeles. Episódios de saudade de casa, somados ao anúncio de que um executivo de confiança estava deixando sua gravadora, culminaram em uma frustrante, porém decisiva, sessão de gravação com os poderosos colaboradores Mike Sabath, Pablo Gorman e Steph Jones, do famoso Espresso. Juntos, eles utilizaram um sample de Puppet On A String, de Sandie Shaw, adicionaram vocais modulados e referências generosas aos clássicos do Clubland. Quando Jade gravou os vocais, começou a tentar convencer sua equipe de que Angel… seria seu cartão de visitas definitivo. Não precisou de muito esforço. “Todo mundo adorou!”, diz ela, surpresa. “Eu realmente achei que eles não topariam. Não estávamos buscando um hit amigável para o rádio porque eu insistia que tinha que ser algo diferente. Não chegou ao primeiro lugar, mas não precisava.”

Angel realmente ajudou a colocar tudo em movimento,” Jade continua. “Muitas portas se abriram.” Uma dessas portas a levou ao mundo da alta moda, onde a cantora rapidamente se tornou uma musa favorita de diversos designers. Dois dias antes da nossa conversa, ela estava em Nova York, sentada na primeira fila da apresentação de Primavera da Off-White. “Foi tão divertido, mas caótico. Tenho pena de quem organiza esses shows, porque você está lidando com tantos egos. Deve ser um pesadelo logístico,” comenta Jade de forma cativante, como se estivesse em um nível abaixo das estrelas com quem convive. Pela primeira vez em sua carreira, Jade pode ser a protagonista de uma história estilizada por ela mesma. “É um espaço mais difícil de navegar quando você está em um grupo feminino. Os designers nem sempre querem trabalhar com todos. Agora, posso ousar ainda mais. É libertador fazer suas próprias coisas. Agora que estou vivendo isso, é bem agradável.”

São 17h30 de uma sexta-feira, e estamos em um estúdio em Tottenham, Londres. Jade está confortável em seu conjunto de moletom cinza, após posar com vários looks para o ensaio de capa da CLASH. Ela é caseira e acolhedora, apesar de parecer um pouco exausta devido a sessões fotográficas consecutivas e viagens transatlânticas. “Felizmente hoje não foi um daqueles dias de quatro horas de produção, como costumava ser. Fizemos uma outra sessão recentemente que foi muito séria, muito recatada, muito cuidadosa,” sorri, referenciando a tendência viral de dublagens que continua em alta.

Como um quarto do Little Mix – o grupo feminino mais vendido da década de 2010 – Jade conhece bem a rotina de dias longos e o ciclo implacável de lançar álbuns, cumprir compromissos promocionais e embarcar em turnês para promovê-los. Durante uma década, o som grandioso e preparado para festivais do Little Mix dominou as rádios. O sucesso do grupo foi em parte devido à sua produção prolífica: lançaram seis álbuns em apenas oito anos e permaneceram onipresentes até entrarem em hiato em 2022. Diferentemente de outros ex-integrantes de bandas que procuram distanciar-se de seu passado diluído e da liberdade que têm como artistas solo, Jade acolhe os desvios nostálgicos para os Glory Days.

Jade admite que o álbum LM5 é aquele que ela acredita que resistirá ao tempo. “Não foi o álbum mais vendido, mas ainda é comentado como um trabalho à frente de seu tempo. Eu e Leigh-Anne realmente nos destacamos como compositoras. É uma pena que ele tenha sido vítima de dramas com a gravadora.” Jade se refere à mudança desordenada de gravadora, quando o grupo foi transferido dentro da Sony Music para o selo britânico da RCA poucos dias antes do lançamento do álbum. Em sua carreira solo, Jade se reuniu com diferentes gravadoras antes de optar por continuar sua trajetória criativa com a RCA. Para ela, era essencial estar no controle dessas reuniões. “Eu já tinha material gravado na época e dizia aos executivos: ‘é isso que eu sou’,” explica. “A diferença agora é que estou muito consciente de como tudo isso funciona. Não posso mais ser surpreendida ou enganada, porque já experimentei de tudo.”

Nesse processo, Jade precisou desaprender práticas prejudiciais da indústria às quais havia sido condicionada a acreditar que eram normais. “A RCA me disse para tirar meu tempo descobrindo quem eu era. Quase tive dificuldade com isso, porque era só o que eu conhecia. Quero dizer, agora até tenho um fundo de bem-estar… é o quanto avançamos.”

Grande parte da nossa conversa é pontuada por generosos “obrigada” e “tchau” dirigidos à equipe criativa que se despede, com o sotaque Geordie de Jade transparecendo em entonações lentas e deliberadas. Seu orgulho por suas raízes em Tyneside e sua identidade britânica é algo que ela deseja continuar a honrar, mesmo enquanto almeja ir além do sucesso local que alcançou com o Little Mix. “Tenho muito orgulho de ser uma artista britânica, e será sempre minha prioridade me conectar com meu público daqui,” afirma. “Mas nós nunca chegamos realmente aos EUA com a banda. Sinto a mudança quando vou para lá agora, especialmente com a comunidade LGBTQ+.”

Angel Of My Dreams traz à tona o lado hardcore da Jade, com seu pulsante giro de electro-pop. O clube, como um local de liberação emocional e um santuário seguro, é algo que importa para Jade, que comprou o contrato de aluguel de uma casa noturna quase falida em sua cidade natal “por praticamente nada” anos atrás. “Era uma porcaria antes,” ela diz de forma simples. “Era chamada Glitterball. Só pense em pisos pegajosos e vidro quebrado por toda parte.” A ameaça de um espaço local, outrora popular entre os frequentadores de clube, ser demolido e transformado em uma cadeia de restaurantes gentrificados foi o que motivou Jade a se aprofundar no setor de hospitalidade. “Eu achava que a indústria da música era difícil! Já assistiu The Bear? É assim que é manter aquele lugar vivo.”

Jade relembra sua mudança para Londres, todos aqueles anos atrás, quando sua “família escolhida” a levava para o Heaven e outros clubes queer-friendly que inspiraram uma experiência espiritual diferente, pós-horas. Foi esse sentimento duplo de segurança e euforia que Jade quis trazer para sua cidade natal. “Provavelmente é o único espaço LGBTQ+ friendly da minha cidade,” ela fala sobre seu refúgio no clube. “Eu não queria que as pessoas tivessem que viajar até Newcastle para se divertir.” O amor de Jade pela comunidade queer vem desde seus primeiros dias com o Little Mix. Continuar cultivando uma zona livre de julgamentos para essa comunidade em canções que homenageiam suas histórias e impacto na cultura pop é algo que ela não leva de forma leviana. “Não dá para negar que foram eles que me trouxeram até onde estou agora. Eu sou consciente de criar músicas para eles de uma forma que não pareça oportunista. Não escrevo dizendo que preciso fazer isso, mas é uma parte grande de mim e do meu repertório.”

Jade tem a aura de alguém que passou muito tempo processando o custo psicológico de navegar no complexo da competição de reality shows e da indústria das grandes gravadoras. Angel… mistura suas aspirações de infância com críticas afiadas à realidade da indústria; nenhuma música pop nacional lançada este ano consegue quebrar a ilusão enquanto chega a uma nova epifania. Honrar seu passado significou expor a realidade escandalosa de crescer diante das câmeras, de ser moldada por uma corporação que exige aparições regulares e um fluxo constante de conteúdo. “Eu comparo isso a um relacionamento porque me deu muito, mas também tirou demais,” diz ela com um toque de apreensão. “É um show que diz que, aos 25 anos, você já é velha demais para ser popstar. Parece ser a idade perfeita para entrar nisso. Você não tem as ferramentas para se expressar quando tem 17 anos. Eu não faria tudo de novo da mesma forma.”

CLASH teve um preview de um futuro single, chamado That’s Showbiz, Baby!. Ele captura a energia do pop industrial carregada, com uma produção vintage de Richard X, só que mais suja e febril. Pergunto a quem a linha ácida no final – “É um não pra mim” – é dirigida. “Vou deixar você ler nas entrelinhas,” ela responde com um sorriso. A música é uma homenagem decadente aos provocadores do RnB-pop – um hino “melodramático” em que Jade expurga sua própria experiência de ser explorada como uma artista jovem e maleável. “É a irmã mais ousada de Angel,” Jade descreve. “Ela vai mais fundo, mais forte e mais intensa. Showbiz foi mais fácil de escrever porque eu sabia exatamente o que queria dizer. É o que o pop deveria ser: brincalhão, confrontador, mas ainda assim uma batida.”

De todos os lançamentos de alta qualidade e energia de Jade, Fantasy é o grande sucesso. Ao longo da música, Jade está imersa em desejo, expressando de forma clara todos os papéis que ela desempenhará para seu amante. É uma gloriosa fusão de S&M futurista e nu-disco que projeta glitter e luzes estroboscópicas a partir de ganchos pegajosos prontos para serem cantados em arenas. “Você pode ouvir Diana Ross nela, mas é a minha versão de disco,” diz ela animada sobre sua música que conquista o público. “É sobre fantasias sexuais, mas se sentir segura o suficiente para explorá-las com alguém que você deseja. É travessa, mas também agradável, leve e efervescente.”

Jade é editorialmente precisa. Ela tem um talento para recontextualizar samples e sabe exatamente o momento certo para jogar uma curva sonora na cara do ouvinte. Nas mãos de um músico menos habilidoso, a intricada rede de referências poderia desmoronar, mas com Jade, a subversão é o objetivo. É aí que entra sua reinterpretação da “máquina” e do “show”. Ela brinca com as personas, mudando os pontos de vista entre a estrela, o voyeur e o mestre marionetista. A iconografia da era ilustra ainda mais o quanto Jade se sente criativamente ousada; seu moodboard visual é um caleidoscópio de referências que inclui Britney em sua melhor fase, Madonna, a cultura Hun, quadrinhos, teatro musical e uma homenagem abrangente ao espírito anárquico dos pioneiros britânicos.

Esta era é sobre redescobrimento, não apenas das idiossincrasias musicais de Jade, mas também de suas raízes. Seu avô Mohammed chegou a South Shields vindo do Iémen na década de 1940, e foi lá que ele conheceu a avó de Jade, Amelia, de origem egípcia. O crescente reconhecimento de Jade sobre sua herança MENA se reflete em sua apreciação por artistas palestinos como Nemahsis. “Ela é simplesmente uma música muito boa,” Jade se empolga. “Eu tenho me envolvido especialmente com a jornada dela. Ser uma artista palestina hoje não deveria ser algo revolucionário, mas elas estão lá, falando a verdade delas, apesar de serem constantemente silenciadas e ignoradas. Isso, para mim, é revolucionário.”

Alguns artistas escolhem se manter isolados do mundo volátil em que habitam. Não Jade Thirlwall. À medida que sua estrela continua a ascender, sua vontade de se conectar cresce e se estende a grupos marginalizados e às crises urgentes de nosso tempo. “Eu tenho lido The Ethnic Cleansing of Palestine de Ilan Pappé,” ela me conta. “E It’s Not That Radical… de Mikaela Loach, que se tornou uma amiga. Ela abriu meus olhos para como o Sul Global é afetado de maneiras agudas pelas potências dominantes. Para mim, é importante aprender como artista pop nesta indústria. Eu quero defender as coisas certas e quero ser uma advogada para as pessoas que precisam de uma plataforma.”

“Eu preciso recomendar Avoidance, Drugs, Heartbreak and Dogs,” Jade continua sua lista de recomendações, referindo-se ao livro de memórias de seu parceiro, Jordan Stephens (metade da dupla indie-rap Rizzle Kicks); uma escavação dolorosa e frequentemente humorística de sua experiência vivendo com TDAH. “Eu li o livro terminado como todo mundo. Ele abriu meus olhos para o que os homens passam em silêncio. Eu nunca tive um parceiro com TDAH antes, então eu tive que fazer o meu trabalho.” No início deste ano, o casal celebrou seu quarto aniversário de namoro. O impacto de Stephens sobre Jade é palpável; ele acalmou suas preocupações sobre seguir em carreira solo, e eles até escreveram material novo juntos. Mais do que isso, ela credita a Stephens por ser seu maior defensor. “Jordan não se intimida com o que eu faço,” ela compartilha. “Ele adora estar com uma mulher poderosa na indústria, e eu não posso te dizer o quanto isso é raro. Jordan é puro caos e eu sou mais calma. Eu precisava de alguém para me complementar.”

Jade está em um capítulo criativo fértil e de alta produção em sua vida. Há uma abundância de música sendo lançada aos poucos para o público, com a expectativa crescendo em uma construção prolongada, mas cuidadosamente planejada, para um álbum de estreia solo que será lançado no ano que vem. “Estou ajustando tudo e pensando em possíveis colaborações enquanto falamos,” ela compartilha. “Mas estou ansiosa para voltar ao estúdio. Estou me sentindo energizada.” Levou um tempo para se ajustar, mas ela está abraçando o fato de ser uma estrela pop mutável em uma era funcional e centrada no fã. “Naquela época, tudo girava em torno dos singles, e eles tinham que fazer sucesso. Agora, há uma certa liberdade em lançar, porque você pode soltar quando quiser. Se algo não funcionar, tudo bem, é só lançar outra coisa.”

Em sua realidade em constante evolução e mudança, Jade está se afirmando como nossa próxima estrela pop solo. E ela não vai se contentar com nada menos do que fazer o máximo possível.

“Todo o processo de fazer esse álbum foi sobre honrar quem eu realmente sou,” ela conclui. “Eu quero que o ouvinte se sinta empoderado da mesma forma que eu fui empoderada. Eu quero que eles sintam que podem ser múltiplas coisas ao mesmo tempo. Eu sou uma pop girlie franca, quero cutucar o urso e ultrapassar limites. Quero que as pessoas sintam que é seguro aqui, para serem verdadeiramente elas mesmas.”

Matéria: https://www.clashmusic.com/features/simulated-reality-jade-interviewed/

Postado por: Brenda Barroso

Após a pausa de sua banda, Little Mix, e uma subsequente busca para se reconectar com suas raízes árabes, a cantora Jade Thirlwall finalmente está seguindo seu próprio caminho. 

Muita coisa mudou para Jade Thirlwall nos quatro anos desde a última vez que ela conversou com a Vogue Arabia. Era o final do verão de 2020, e ela estava ocupada se reconectando com suas raízes, explorando a herança iemenita de sua mãe e começando a aprender árabe. Em sua vida profissional, a girl band com a qual ela alcançou enorme fama entrou em hiato após a saída de uma das integrantes do grupo original. Enquanto cada membro da banda começou a lançar suas próprias carreiras, Thirlwall esperou. Ela queria aperfeiçoar sua habilidade como compositora, definir seu estilo como artista solo e esperar o momento certo para voltar aos holofotes – não como Jade-do-Little-Mix, mas como JADE: uma brilhante sensação pop por conta própria.

A cantora britânica juntou-se ao Little Mix como parte do programa de talentos televisivo The X Factor em 2011 e alcançou mega estrelato em ambos os lados do Atlântico e além. Mas, após 11 anos de sucesso ininterrupto compondo e apresentando hits com a banda, Thirlwall lutou para ser levada a sério pelos produtores.

“Eu fiquei tipo, ‘O quê?’ Trabalhei tão duro por mais de uma década e ainda preciso me esforçar para entrar nessas salas.” 

Embora tenha conseguido se afirmar, o trabalho estava apenas começando. 

Foi preciso tentativa e erro para encontrar os produtores e compositores certos para colaborar em sua transição para se tornar uma artista solo, mas, uma vez que reuniu Mike Sabath, Steph Jones e Pablo Bowman, “foi uma daquelas situações em que todas as estrelas estavam se alinhando.” Como eles já haviam trabalhado sua mágica em discos de Raye, Sabrina Carpenter e Ellie Goulding, Thirlwall certamente estava no caminho certo. Foi libertador poder recorrer às suas próprias referências e experiências, mas as ideias não surgiram de imediato. Após 18 meses indo e voltando para salas de composição, ela estava relutante em continuar, citando um bloqueio criativo e exaustão geral com todo o processo. Mas sua equipe a persuadiu. Foi o empurrão final que ela precisava para sair da própria cabeça, fazer música para si mesma, em vez de para o Little Mix; parar de se preocupar com o que as pessoas pensariam.

Com um pouco de encorajamento da colega realeza das girl bands, Mel C, que ela diz ter lhe dito: “Você tem que fazer o que parece certo para você”, Thirlwall finalmente encontrou o som de Jade com “Angel Of My Dreams.”

“Eu sabia que estava correndo um certo risco com essa música. Eu não estava buscando um hit amigável para o rádio, estava me desafiando criativamente, pensando fora da caixa. Sei que essa música é um pouco louca.” 

Mas a resposta foi entusiasmada. Lançado em meados de julho, seu single de estreia solo passou o verão inteiro confortavelmente no Top 40 do Reino Unido, alcançando a sétima posição.

Descrita por ela mesma como uma carta de amor/ódio à indústria musical, “Angel Of My Dreams” definiu o tom do que esperar de Jade: letras inteligentes e sarcásticas, fundindo arranjos vocais exuberantes com fluxos elegantes e atrevidos. É audaciosa, exagerada e completamente cativante. Com mal tempo suficiente para processar o triunfo de sua faixa inaugural, Thirlwall lançou casualmente o single seguinte, “Midnight Cowboy”, neste outono. Com uma vibe de festa pós-pós-balada, com um baixo que vai estourar os alto-falantes e camadas de inflexões eletrônicas, você praticamente pode sentir o suor pingando do teto. Charli XCX pediu clássicos de clube, e Thirlwall entregou. 

Em vez de buscar o sucesso comercial, Thirlwall diz:

“Acho que todo esse disco é sobre agradar a pequena Jade e minha versão mais jovem.”

Tanto sonoramente quanto estilisticamente. Agora que ela não precisa mais considerar como seus figurinos fazem parte de um conjunto harmonioso, ela está se divertindo experimentando alter egos cada vez mais extravagantes, em particular:

“Gostaria de usar o ensaio da Vogue Arabia para me desafiar em termos de ser vista de uma maneira que talvez as pessoas não tenham visto antes”

Ao fazer isso, Thirlwall está realizando o sonho de infância de ver alguém que se pareça com ela incorporando o que ela descreve com humor como “vibes de tia rica árabe”, tendo a oportunidade de usar designers do Oriente Médio, incluindo Qasimi e Roni Helou. Ela espera que o próximo passo nessa evolução seja unir forças com alguns de seus artistas árabes favoritos, incluindo a musicista palestino-chilena Elyanna, que recentemente se apresentou no palco sagrado Pyramid em Glastonbury ao lado do Coldplay.

Jade pode ser tecnicamente uma empreitada solo, mas cada passo do caminho envolveu colaboração — seja com sua equipe dos sonhos no estúdio, seus estilistas inseparáveis Zack Tate e Jamie McFarland, ou os visionários por trás de seus vídeos instantaneamente icônicos. Com o álbum programado para ser lançado no próximo ano e grandes planos para como apresentá-lo ao vivo, quem pode dizer quais nomes podem aparecer ao lado do dela nos próximos meses? Está claro que não só as estrelas estão se alinhando para essa nova era de Thirlwall, como também a sua própria estrela está em uma ascensão imparável.

Matéria: https://en.vogue.me/culture/jade-thirlwall-reconnecting-arab-roots-new-song-new-album/

Postado por: Brenda Barroso